O Medo e o uso de Métodos Científicos para “Não Causar Dano”

Todos os animais são movidos pela comida. Ela é essencial para a sua sobrevivência, tornando-se um reforço primordial e um elemento vital quando usado com discernimento num plano de treino ou numa estratégia de gestão. Para os especialistas em comportamento animal que se dedicam a programas de mudança comportamental, nos quais é necessário alterar a resposta emocional condicionada de um animal de estimação perante um estímulo problemático, a comida desempenha um papel fundamental.

Ao modificar comportamentos observáveis, como rosnar, saltar e morder, frequentemente manifestações de estados emocionais como o medo e a ansiedade, o objetivo é transformar a resposta emocional subjacente, permitindo ao cão aprender novos comportamentos mais adequados.

É importante compreender que o medo não é um comportamento, mas sim uma emoção. Não pode ser simplesmente “treinado”. Na realidade, o medo muitas vezes está na base de comportamentos agressivos, exigindo a aplicação de protocolos científicos específicos e um entendimento mais profundo da aprendizagem emocional e do comportamento animal. A revisão da literatura científica recomenda o uso de comida como reforço em protocolos de dessensibilização sistemática e contra condicionamento, especialmente desenvolvidos para abordar as emoções subjacentes ao medo e/ou à ansiedade. Na prática, utilizar comida para condicionar contrariamente as respostas emocionais é o método mais amplamente aceite para tratar comportamentos enraizados no medo (Overall, 2013).

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